BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 20 a 25 anos

 

   

    ABRALE
  Associação da Medula Óssea
  Blog do Lele Gigante Careca
  Por uma sociedade melhor


 

 
 

   

   


 
 
Começando...



Infância feliz?

Sempre achei que fui uma criança muito feliz. Não digo isso porque imagino que hoje algo tenha mudado, isso nunca. Lembro com muitas saudades das birras, choros, dengos e manhinhas que eu, como boa criança que fui, passei para chegar no que sou hoje.

 

Creio que como quase todas as crianças ditas “normais”, já dei chilique em loja de brinquedo, já quis ficar mais na casa dos primos, já sai correndo pra dar tchau atrás do carro quando ele ia indo embora, já escondi pedaço de carne embaixo do arroz pra fingir que tinha comido toda a mistura e poder ir brincar mais cedo.

 

Já comi terra, já cheguei cavando até o inferno – apesar de nunca entender como é que ele chegava antes da garagem do prédio – já achei tesouro enterrado no sítio e não contei pra ninguém (agora todos sabem, mas continuo me recusando a revelar!).

 

Já peguei minhas Barbies e fui com todas elas para uma praia de “Budismo” (Sim, Budismo, sem trocar B por N!), onde era o máximo nadar pelado. Já passei o dia inteiro montando a casa da Barbie pra chegar a noite ter que arrumar tudo.

 

Fiz do sítio meu porto seguro para brincar. Fui lá que fui professora pela primeira vez, corretora, médica, secretária, arqueóloga, investigadora criminal. E vendedora de limonada com torradinhas.

 

Foi lá que fiz do Funny, o cachorro mais temível das aldeias indígenas, o tigre mais bravo e companheiro que um grupo sórdidos de primos poderiam ter a ponto de amedrontar, amarrar e rir até não poder mais enquanto um dos mais novos era motivo de gargalhadas. Sim, fui bem perversa também. Pedi pro meu irmão matar um sapo, e quando ele o fez, chorei, fiz enterrinho, plantei uns matinhos e até hoje me lembro onde fica a lápide do Sapo Frederico.

 

Era a mais perua quando descia no playground do prédio, usava as minhas 3 bolsas (Porque, meu Deeeeus?! Porque as 3 ao mesmo tempo??? Rs...) , um guarda-sol do Piu-piu, unhas e lábios vermelhos e lá estava eu, a mãe exemplar arrastando um carrinho de boneca pra cima e pra baixo, dando uma volta com a minha prima-comadre, falando sobre a vida...

 

Fui também o maior moleque, a ponto de precisar ir à escola com aqueles remendos de couro no joelho porque a calça simplesmente já não agüentava mais tantos furos de tombos, rasteiras e jeito de menina comportada que só eu sabia fazer quando ia jogar “bafo” com os meninos no recreio.

 

Assisti os  melhores desenhos animados, desde Ursinhos Carinhosos, aqueles fofos, passando pela intrigante e sem fim Caverna do Dragão, os maravilhosos Cavaleiros do Zodíaco, He-Man, sem contar Jaspion, Chaves e Carrossel, Maria Joaquina e Laurinha, com sua cara gorda e sua frase de praxe “Isso é tão sentimental...”... Clássicos!

 

Meu Deus, como fui uma criança feliz! Corri, me escondi, cai de bicicleta, fui atropelada por uma enquanto andava de patins, inventei, mas inventei taaaaanto! Passei algumas tardes nas bibliotecas, sonhei com minhas maluquices sempre tão reais, realizei várias. Achava idiotice dormir sendo que sempre tínhamos pouco tempo para brincar..

 

Ainda acho perda de tempo ficar pensando na vida de forma  tão séria a ponto de nos esquecermos dessas pequenas maravilhas que ela nos oferece as vezes... Essas lembranças de como tudo é tão simples e fácil de ser deixado para trás, ainda que por breves minutos, para dar lugar a essa sensação nostálgica que nos fazem tão bem e deixam tanta saudade.

 

Saudade é a palavra final desta vez.

Beijos às crianças de todas as idades!!!



Escrito por Irene às 22h25
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Transplante de Medula Óssea

Hoje por um motivo mais nobre aqui, queria falar sobre um assunto que apesar de parecer tão complicado, difícil e monstruoso, é tão simples e belo.

As informações que espero passar aqui não são sem fundamento, existem sites e alguns links estão no próprio blog, para consultarem a veracidade do assunto.. ^^

O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento proposto para algumas doenças benignas ou malignas que afetam as células do sangue. Ele consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula.
O transplante pode ser autólogo, quando as células precursoras de medula óssea provêm do próprio indivíduo transplantado (receptor). Ele é dito alogênico, quando a medula ou as células provêm de um outro indivíduo (doador). O transplante também pode ser feito a partir de células precursoras de medula óssea obtidas do sangue circulante de um doador ou do sangue de cordão umbilical.

Quando não há um doador aparentado (um irmão ou geralmente um dos pais), a solução é procurar um doador compatível entre os grupos étnicos (brancos, negros amarelos etc) semelhantes. Embora, no caso do Brasil, a mistura de raças dificulte a localização de doadores ou registros internacionais, é possível encontrá-los em outros países. Desta forma surgiram os primeiros Bancos de Doadores de Medula, em que voluntários de todo o mundo colhem sangue,fazem o teste de compatibilidade e são cadastrados no banco de medula. Quando encontrados os doadores são consultados e se estiverem aptos e de acordo, colhem as células progenitoras, essas células são remetidas ao centro cadastrado que fará o transplante do paciente. Hoje, já existem mais de 5 milhões de doadores. O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) coordena a pesquisa de doadores nos bancos brasileiros e estrangeiros. O centro que trata o paciente, o inscreve o seu paciente no REREME, e a partir daí a busca se dá periodicamente até o encontro de doador compatível.

Ok, esses dois últimos parágrafos foram "copiar colar" do site da ABRALE, onde colhi as informações que julguei mais importantes. Mas o que queria mesmo deixar claro, é que sim,  é díficil encontrar um doador compatível, mas que o exame para saber se isso é possível é simples demais. É um exame de sangue como outro qualquer, o local onde deve ser realizado o exame eu posso deixar mais abaixo no caso de São Paulo. Meu pai mesmo o fez, foi rápido e você se cadastra no REDOME, como já disse antes. Lá a amostra passa por um exame chamado HLA, que digamos assim, "mapeia" o código genético do doador... e é por este exame que médicos capacitados terão a sorte de encontrar um doador para alguém que necessite..!

Tenho visto diversas campanhas de doação, verdadeiros mutirões realizados quando é descoberto que alguém precisa urgentemente dessa ajuda, e as pessoas são mobilizadas para fazer o exame. Mas o que mais me comove é ver as pessoas muitas vezes sem laços afetivos nenhum com o receptor, mas por já ter passado por situação igual ou parecida, por entender o que isso significa, ou pelo simples prazer de ajudar, se lançam da cabeça aos pés, envolvidas e participando de tudo que vêem pela frente, dispostas a fazer o bem.

Espero ter esclarecido algumas duvidas e quem sabe, ajudar alguém que precise desta ajuda... Se puder ser mais clara em qualquer aspecto e conseguir fazer isso, terei o maior prazer em tentar tirar dúvidas aqui!

Hemocentros de São Paulo:

Hemocentro da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
Fone: (11) 2176-7000 - ramal 5989.
Site :
http://www.inca.gov.br/cemo/doacao.html
E-mail: medulaossea@doadores.org
Responsável: Dra. Carmen Vergueiro

Hemocentro Regional de Ribeirão Preto
Rua Tenente Catão Roxo, 2501
Monte Alegre - Ribeirão Preto - SP
CEP: 14051-140
Tel.:(16) 3963.9300
Fax: (16) 2101.9309

Hemocentro Regional de Marília
Rua Lourival, 240
Bairro Fragata - Marília - SP
CEP: 17519-050
Tel.: (14) 421.1868
Fax: (14) 433.0148

Hemocentro Regional de Campinas
Rua Carlos Chagas, Cidade Universitária Prof. Zeferino Vaz
CP 16198
Campinas - SP
CEP: 13081-970
Tel.: (19) 3289-3701 / 3521-2121
Fax: (19) 3788.8750

Hemocentro Regional de Botucatu
Botucatu-SP UNESP - Campus de Botucatu
Faculdade de Medicina Distrito de Rubião Júnior s/nº
CEP: 18618-000
Botucatu - SP

Beijos!!!!!

 



Escrito por Irene às 20h06
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Falar sobre..?

Ahhhhhhhh céus!!!!

Falta um pouco de insipração, que estou buscando todos os dias, vezes nas páginas antigas de diário, vezes lendo artigos, contos e livros!

Se surgirem ideias, comentários, motivos ou não, surtos ou qualquer coisa que saia da cabeça de um ser um pouco mais pensante que eu, saiba q estarei totalmente disposta e ansiosa por ouvi-lo!!!!!!

Isso lá é um blog??? hauuahahuahuaha.... Ainda estou começando, não se esqueçam....

Besitosss!



Escrito por Irene às 22h59
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Doideiras

Pensamentos soltos por ai, logo após uma ida ao sítio, começo de fevereiro...

Meus últimos dias foram bem verdes, só para contrariar os frequêntes e monótonos dias brancos do hospital. O sítio continua o mesmo, os cachorros pulguentos e lindos, a saudade enorme.
O coração ainda batendo pelas pessoas erradas, ou as pessoas erradas sempre aparecendo nas horas certas.
O telefone tocando cada vez menos, pessoas se esquecendo cada vez mais. E proporcionalmente, o vazio aumentando ao longo dos dias, que têm se tornado ainda mais longos.
O som dos carros na 23 de Maio se tornando cada vez mais familiares, a família sempre presente. Presentes inesquecíveis, pequenas lembranças de dias normais.
Algumas pequenas tentativas desses dias normais, onde sair não era um problema tão absurdo assim.
Toques e carinhos cada vez mais raros, a vontade de sentí-los é cada vez mais insuportável. A dor é suportável. Ficar sem carinho nem tanto...
Tantas lembranças que com certeza preenchem meus sonhos, inundam o inconsciente e afoga o que me parece real.
O hospital? Em dúvida ainda se é a minha salvação ou a minha prisão. Obvio de que se trata da minha salvação... mas por vezes parece pior que uma prisão, por não entender o motivo de estar lá.
Origamis adoidado, músicas que enchem o quarto. Letras, palavras, livros que salvam dias e a mente. Sudoku, números que me aliviam dizendo que algo ainda pensa e raciocínia (ou não! rs...) na minha cabeça.
Mamãe sempre rindo e fazendo rir, com suas certezas incontestáveis. Papai sempre preocupado e deixando preocupados, com seu amor incontestável.
Pedro sendo uma força a mais em mim, me mostrando o maravilhoso homem que será.
Eu com a certeza que as vezes se abala, mas nunca deixa de ser certeza, de que ficará tudo bem, de que tudo vai dar certo.
A leucemia, que chegou devagar q se instalou por alguns breves momentos, cada dia menos presente na minha vida e corpo.
E o meu corpo, pedindo, desejando com todas as forças, a vida que tinha e ainda tem. E vamos vencer!

Bjoss aos meus queridos de sempre!



Escrito por Irene às 21h29
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Silence

Acho que o silêncio é um dos maiores paradoxos com que convivemos.
Como pode ser tão barulhento e tão mudo ao mesmo tempo?

Entre um casal prestes a se beijar, o silêncio se mistura com o desejo, vontade de uma hora ou um ano, curiosidade, intensidade, e tudo isso fala ao mesmo tempo, grita até, urge, em silêncio.

No famoso "um minuto de silêncio", no qual junta os sentimentos de raiva, reluta, revolta, negação. Todos na nossa cabeça, falando juntos novamente. No entanto, dor, silêncio.

No momento da decisão, que acontece o tempo todo. Na hora de optar entre o sim e o não. A dúvida, o medo da escolha errada, o medo da escolha certa, a coragem ou a covardia. E o silêncio...

O silêncio da sabedoria, o silêncio de quem sabe ouvir os outros, o silêncio de quem não precisa dizer nada para dizer tudo. O silêncio do desprezo, ou do orgulho. Todos eles tão barulhentos dentro de nós.

Sem falar no silêncio antes de dormir... Aquele mesmo, aquele no qual você costuma pensar mais profundamente, fazer o saldo do dia, de boas ou más ações/escolhas. Naquele que você tenta entender os motivos. Ou naquele que você usa para chorar. Há silêncio mais silencioso e mais ensurdecedor que esse?? I don't think so...

(Ando meio silenciosa nesses últimos dias... Nada que o mundo possa calar! Apenas silenciosa... Paradoxal, digamos assim..!)

Bjos aos que comentam e aos que se dão ao trabalho de ler...



Escrito por Irene às 19h32
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Something about the hospital... and about myself too...

O sexto andar do Beneficência é chamado TMO (transplante de medula óssea) e o que descobri lá foi uma outra família.

Os pacientes se conhecem, estão sempre se internando e tendo altas em épocas diferentes, mas são os mesmos.
A equipe de enfermagem, sempre prestativa e maravilhosa, já é toda conhecida e querida também. Aparelho de pressão, termômetro, bolsas de plaqueta, antibióticos e soros o tempo todo, mas sempre com um sorriso no rosto, dispostos a rir e te ouvir.
Meu médico, uma pessoa que respeito e admiro muito, que entende tudo que estou passando, por já ter visto tudo isso muitas vezes, sempre buscando novas soluções.

Vejo muitas coisas bonitas lá. As pessoas se ajudam, passam por situações parecidas e juntas se acalmam acreditando que vai dar certo. Muita fé, muitos pedidos. Sorrisos emocionados a cada etapa vencida, o sorriso dos vencedores.
Ao mesmo tempo, vejo muita tristeza. Existe muita dor, gente que sofre demais, pessoas que se vão rápido demais. 
Creio que nunca vou conseguir descrever o que senti a vez que fiquei em um quarto ao lado do quarto de um paciente que estava a espera de umas injeções para dar continuidade no tratamento. São drogas que não são vendidas aqui e sim importadas dos Estados Unidos. São caras demais e doses demais. Sem essas injeções, ele (o paciente) uivava da dor. Chorava, gritava. Um homem de 26 anos, casado, bom emprego, família sempre presente. Chorei com ele, chorei por ele. Como isso, por que? Como é que pode uma pessoa passar por tanta dor? Bom, não quero questionar isso, não vai me levar a nada, não é mesmo? Acontece que as injeções não chegavam, ele recebeu algumas doses emprestadas de outro paciente com o mesmo quadro clínico, mas não deu tempo. Não deu tempo... Isso poderia levar a outras discussões... Como é possível uma droga que não existe aqui no Brasil, que salva vidas e só é possível consegui-las importando-as, demorar semanas para chegar aqui? Mas não quero entrar nisso novamente... Tudo bem, ele foi para um lugar melhor. Mas e os que ficaram, os que sofreram juntos? É triste, bem triste...

Chega da parte ruim. Tenho aprendido muito lá. Aprendendo a entender algumas coisas que antes eu não enxergava simplesmente. Aprendendo o que é vida. Aprendendo que ela não é feita e formada por grandes acontecimentos apenas, como já disse anteriormente. É a batalha do dia, de um dia vencido, de um dia a mais. É o agradecer a cada manhã por poder ver o sol, mesmo que apenas refletido na janela que fica aberta do prédio da frente, e que as vezes vem me falar "bom dia".
Quando sai do hospital, logo após a primeira internação que durou 5 semanas, choveu. E eu me lembro que as vezes, da janela do quarto, eu estendia o máximo que conseguia a mão para alcançar alguns pingos de chuva. Sentir a chuva na careca foi uma sensação inexplicável. Foi lindo, foi perfeito. Foi como se Deus soubesse o quanto eu queria sentir isso de novo, e esperou que eu saisse da porta do hospital para me proporcionar isso.

Não escrevo essas palavras para que alguém sinta pena de mim ou das outras pessoas que tem leucemia. Escrevo na esperança de abrir os olhos das pessoas que não dão valor à vida. Viva. Mas de verdade. Tem muita gente lutando por isso.

Bjos

 



Escrito por Irene às 21h19
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Ao gigante do fígado podre

Um pequeno texto a um gigante que vem passando por situações parecidas com as minhas...

A vida muitas vezes nos prega peças que não conseguimos entender. Já percorremos estradas que são esburacadas naturalmente, e mesmo assim certos obstáculos nos são impostos por algum motivo. Mas com certeza esse motivo existe.

O que realmente importa é descobrir esse motivo e continuar na luta do nosso percurso pela mesma estrada esburacada. Os buracos nunca vão deixar de existir, faz parte da nossa vida os tombos e tropeços diários, para nos ensinar a ser quem somos e o que queremos.

Pensar em desistir, jamais! Pra que, tendo a vida tantas coisas pra oferecer, tantas experiências que ainda nem imaginamos, tantas pessoas que ainda vamos conhecer? Não, temos muito o que fazer aqui ainda.

Nossas conversas tem me ajudado muito em todos os aspectos possíveis e imagináveis. E apesar das circunstâncias (não me entenda mal), é bom saber que tem alguém junto comigo nessa coisa doida de hospital que vira casa e casa que vira hospital... 

É bom te ter por perto, mesmo que perto não seja tão perto assim!
E muito obrigada por tudo que você é!

Bjos Pequeno Lê



Escrito por Irene às 12h07
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As coisas mais simples...

As vezes nos esquecemos do sentido que a vida tem.
Estamos sempre ocupados demais, preocupados demais, estressados demais.
Nessa correria do dia-a-dia, nos esquecemos de parar por um minuto e olhar para o sol. Ou para as nuvens, e ver as imagens que elas podem formar.
Não temos tempo de olhar para aquela criança e ouvir a risada maravilhosa que só as crianças sabem dar.
Na nossa correria, estamos perdendo cada vez mais o contato com as pessoas que amamos. Encontros que foram trocados por telefonemas, depois e-mails e agora scraps curtos no orkut. Ou um torpedo no celular.
Nesta mesma correria, neste mesmo mundo que tem cada vez mais gente, estamos cada vez mais solitários. Andamos por ruas onde é impossível não esbarrar em alguém, ouvindo nossos MP3 que impede qualquer tipo de conversa, que nos isola da multidão que passa por nós.
Nos esquecemos de dizer "por favor" e "obrigado". Nos esquecemos também como é bom ouvir isso de outras pessoas.
Não temos tempo de resgatar do fundo do baú o velho livro de receitas da avó e preparar um almoço, uma receita que dê trabalho mesmo, mas que no fim, quando todos estiverem a mesa, pensem e cheguem a conclusão que não há fast food que tenha sido preparado com com esse carinho e que tenha o mesmo gosto.
Nessa correria dos dias atuais, que tempo temos de ir ai circo e levar as nossas crianças? Ou que coragem temos de deixá-las brincar nas ruas com tanta violência por ai? Não é muito mais simples deixá-las brincando em casa com seus videogames e computadores? E não são nesses mesmos computadores que elas têm acesso a qualquer tipo de informação, a todos os tipos de violência, à pornografia, à drogas? Que fazer então?
É ai que eu repito: as vezes nos esquecemos o sentido que a vida tem.
Coisas simples, gestos simples. Pequenas ações que tornam nossos dias grandiosos.
Um dia bonito. Uma nuvem com formato de dinossauro. Uma risada de criança. Um velho amigo. Um novo amigo. Um "obrigado". Dito e ouvido. Uma refeição decente, em família, que não dure 15 minutos, em silêncio. Um palhaço, uma piada. Uma aposta de corrida. Um carinho. Um "eu te amo", novamente dito e ouvido.
É isso, o sentido, as pequenas coisas que nos fazem mais felizes.

Bjos



Escrito por Irene às 15h31
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A little shy...

Ok, confesso... esta é a minha primeira vez.

Sempre tive um pouco de vergonha de mostrar para os outros o que costumo escrever, mas nos últimos dias a vontade de deixar que sintam o que eu venho sentindo têm falado mais alto.

Este ano começou diferente, eu já sabia que as coisas iriam mudar, como já haviam mudado desde novembro do ano passado. Mesmo assim fiz a minha listinha de desejos para 2008. Só que desta vez tinha um item que eu nunca coloquei, em todos esses 21 anos de vida: SAÚDE. Muuuuuuuuita saúde.

A leucemia é uma doença silenciosa, só se deixa perceber quando o negócio está realmente feio. Se eu poderia ter descoberto antes? Poderia... Já estava em outros exames de sangue uma alteração nos leucócitos _ glóbulos de defesa do nosso corpo _ mas tudo bem. A descoberta foi em cima da hora, mas deu tudo certo. Ou melhor, está dando, já que o tratamento está em andamento.

Passo longos períodos no hospital fazendo quimio e depois me recuperando, e são nesses momentos que eu sinto a maior necessidade do mundo de escrever. O que espero deixar aqui é de tudo um pouco... Sonhos, vontades, reflexões, viagens mesmo, ou seja: tudo que der na telha. Ou na careca. Rs...

Acho que já está bom pra uma primeira vez, né? No próximo me esforço mais! ^^

Beijos...



Escrito por Irene às 00h18
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