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Começando... Infância feliz? Sempre achei que fui uma criança muito feliz. Não digo isso porque imagino que hoje algo tenha mudado, isso nunca. Lembro com muitas saudades das birras, choros, dengos e manhinhas que eu, como boa criança que fui, passei para chegar no que sou hoje. Creio que como quase todas as crianças ditas “normais”, já dei chilique em loja de brinquedo, já quis ficar mais na casa dos primos, já sai correndo pra dar tchau atrás do carro quando ele ia indo embora, já escondi pedaço de carne embaixo do arroz pra fingir que tinha comido toda a mistura e poder ir brincar mais cedo. Já comi terra, já cheguei cavando até o inferno – apesar de nunca entender como é que ele chegava antes da garagem do prédio – já achei tesouro enterrado no sítio e não contei pra ninguém (agora todos sabem, mas continuo me recusando a revelar!). Já peguei minhas Barbies e fui com todas elas para uma praia de “Budismo” (Sim, Budismo, sem trocar B por N!), onde era o máximo nadar pelado. Já passei o dia inteiro montando a casa da Barbie pra chegar a noite ter que arrumar tudo. Fiz do sítio meu porto seguro para brincar. Fui lá que fui professora pela primeira vez, corretora, médica, secretária, arqueóloga, investigadora criminal. E vendedora de limonada com torradinhas. Foi lá que fiz do Funny, o cachorro mais temível das aldeias indígenas, o tigre mais bravo e companheiro que um grupo sórdidos de primos poderiam ter a ponto de amedrontar, amarrar e rir até não poder mais enquanto um dos mais novos era motivo de gargalhadas. Sim, fui bem perversa também. Pedi pro meu irmão matar um sapo, e quando ele o fez, chorei, fiz enterrinho, plantei uns matinhos e até hoje me lembro onde fica a lápide do Sapo Frederico. Era a mais perua quando descia no playground do prédio, usava as minhas 3 bolsas (Porque, meu Deeeeus?! Porque as 3 ao mesmo tempo??? Rs...) , um guarda-sol do Piu-piu, unhas e lábios vermelhos e lá estava eu, a mãe exemplar arrastando um carrinho de boneca pra cima e pra baixo, dando uma volta com a minha prima-comadre, falando sobre a vida... Fui também o maior moleque, a ponto de precisar ir à escola com aqueles remendos de couro no joelho porque a calça simplesmente já não agüentava mais tantos furos de tombos, rasteiras e jeito de menina comportada que só eu sabia fazer quando ia jogar “bafo” com os meninos no recreio. Assisti os melhores desenhos animados, desde Ursinhos Carinhosos, aqueles fofos, passando pela intrigante e sem fim Caverna do Dragão, os maravilhosos Cavaleiros do Zodíaco, He-Man, sem contar Jaspion, Chaves e Carrossel, Maria Joaquina e Laurinha, com sua cara gorda e sua frase de praxe “Isso é tão sentimental...”... Clássicos! Meu Deus, como fui uma criança feliz! Corri, me escondi, cai de bicicleta, fui atropelada por uma enquanto andava de patins, inventei, mas inventei taaaaanto! Passei algumas tardes nas bibliotecas, sonhei com minhas maluquices sempre tão reais, realizei várias. Achava idiotice dormir sendo que sempre tínhamos pouco tempo para brincar.. Ainda acho perda de tempo ficar pensando na vida de forma tão séria a ponto de nos esquecermos dessas pequenas maravilhas que ela nos oferece as vezes... Essas lembranças de como tudo é tão simples e fácil de ser deixado para trás, ainda que por breves minutos, para dar lugar a essa sensação nostálgica que nos fazem tão bem e deixam tanta saudade. Saudade é a palavra final desta vez. Beijos às crianças de todas as idades!!! Escrito por Irene às 22h25 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Transplante de Medula Óssea Hoje por um motivo mais nobre aqui, queria falar sobre um assunto que apesar de parecer tão complicado, difícil e monstruoso, é tão simples e belo. As informações que espero passar aqui não são sem fundamento, existem sites e alguns links estão no próprio blog, para consultarem a veracidade do assunto.. ^^ O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento proposto para algumas doenças benignas ou malignas que afetam as células do sangue. Ele consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula. Quando não há um doador aparentado (um irmão ou geralmente um dos pais), a solução é procurar um doador compatível entre os grupos étnicos (brancos, negros amarelos etc) semelhantes. Embora, no caso do Brasil, a mistura de raças dificulte a localização de doadores ou registros internacionais, é possível encontrá-los em outros países. Desta forma surgiram os primeiros Bancos de Doadores de Medula, em que voluntários de todo o mundo colhem sangue,fazem o teste de compatibilidade e são cadastrados no banco de medula. Quando encontrados os doadores são consultados e se estiverem aptos e de acordo, colhem as células progenitoras, essas células são remetidas ao centro cadastrado que fará o transplante do paciente. Hoje, já existem mais de 5 milhões de doadores. O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) coordena a pesquisa de doadores nos bancos brasileiros e estrangeiros. O centro que trata o paciente, o inscreve o seu paciente no REREME, e a partir daí a busca se dá periodicamente até o encontro de doador compatível. Ok, esses dois últimos parágrafos foram "copiar colar" do site da ABRALE, onde colhi as informações que julguei mais importantes. Mas o que queria mesmo deixar claro, é que sim, é díficil encontrar um doador compatível, mas que o exame para saber se isso é possível é simples demais. É um exame de sangue como outro qualquer, o local onde deve ser realizado o exame eu posso deixar mais abaixo no caso de São Paulo. Meu pai mesmo o fez, foi rápido e você se cadastra no REDOME, como já disse antes. Lá a amostra passa por um exame chamado HLA, que digamos assim, "mapeia" o código genético do doador... e é por este exame que médicos capacitados terão a sorte de encontrar um doador para alguém que necessite..! Tenho visto diversas campanhas de doação, verdadeiros mutirões realizados quando é descoberto que alguém precisa urgentemente dessa ajuda, e as pessoas são mobilizadas para fazer o exame. Mas o que mais me comove é ver as pessoas muitas vezes sem laços afetivos nenhum com o receptor, mas por já ter passado por situação igual ou parecida, por entender o que isso significa, ou pelo simples prazer de ajudar, se lançam da cabeça aos pés, envolvidas e participando de tudo que vêem pela frente, dispostas a fazer o bem. Espero ter esclarecido algumas duvidas e quem sabe, ajudar alguém que precise desta ajuda... Se puder ser mais clara em qualquer aspecto e conseguir fazer isso, terei o maior prazer em tentar tirar dúvidas aqui! Hemocentros de São Paulo: Hemocentro da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo Beijos!!!!!
Escrito por Irene às 20h06 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Falar sobre..? Ahhhhhhhh céus!!!! Falta um pouco de insipração, que estou buscando todos os dias, vezes nas páginas antigas de diário, vezes lendo artigos, contos e livros! Se surgirem ideias, comentários, motivos ou não, surtos ou qualquer coisa que saia da cabeça de um ser um pouco mais pensante que eu, saiba q estarei totalmente disposta e ansiosa por ouvi-lo!!!!!! Isso lá é um blog??? hauuahahuahuaha.... Ainda estou começando, não se esqueçam.... Besitosss! Escrito por Irene às 22h59 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Doideiras Pensamentos soltos por ai, logo após uma ida ao sítio, começo de fevereiro... Meus últimos dias foram bem verdes, só para contrariar os frequêntes e monótonos dias brancos do hospital. O sítio continua o mesmo, os cachorros pulguentos e lindos, a saudade enorme. Bjoss aos meus queridos de sempre! Escrito por Irene às 21h29 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Silence Acho que o silêncio é um dos maiores paradoxos com que convivemos. Entre um casal prestes a se beijar, o silêncio se mistura com o desejo, vontade de uma hora ou um ano, curiosidade, intensidade, e tudo isso fala ao mesmo tempo, grita até, urge, em silêncio. No famoso "um minuto de silêncio", no qual junta os sentimentos de raiva, reluta, revolta, negação. Todos na nossa cabeça, falando juntos novamente. No entanto, dor, silêncio. No momento da decisão, que acontece o tempo todo. Na hora de optar entre o sim e o não. A dúvida, o medo da escolha errada, o medo da escolha certa, a coragem ou a covardia. E o silêncio... O silêncio da sabedoria, o silêncio de quem sabe ouvir os outros, o silêncio de quem não precisa dizer nada para dizer tudo. O silêncio do desprezo, ou do orgulho. Todos eles tão barulhentos dentro de nós. Sem falar no silêncio antes de dormir... Aquele mesmo, aquele no qual você costuma pensar mais profundamente, fazer o saldo do dia, de boas ou más ações/escolhas. Naquele que você tenta entender os motivos. Ou naquele que você usa para chorar. Há silêncio mais silencioso e mais ensurdecedor que esse?? I don't think so... (Ando meio silenciosa nesses últimos dias... Nada que o mundo possa calar! Apenas silenciosa... Paradoxal, digamos assim..!) Bjos aos que comentam e aos que se dão ao trabalho de ler... Escrito por Irene às 19h32 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Something about the hospital... and about myself too... O sexto andar do Beneficência é chamado TMO (transplante de medula óssea) e o que descobri lá foi uma outra família. Chega da parte ruim. Tenho aprendido muito lá. Aprendendo a entender algumas coisas que antes eu não enxergava simplesmente. Aprendendo o que é vida. Aprendendo que ela não é feita e formada por grandes acontecimentos apenas, como já disse anteriormente. É a batalha do dia, de um dia vencido, de um dia a mais. É o agradecer a cada manhã por poder ver o sol, mesmo que apenas refletido na janela que fica aberta do prédio da frente, e que as vezes vem me falar "bom dia". Não escrevo essas palavras para que alguém sinta pena de mim ou das outras pessoas que tem leucemia. Escrevo na esperança de abrir os olhos das pessoas que não dão valor à vida. Viva. Mas de verdade. Tem muita gente lutando por isso. Bjos
Escrito por Irene às 21h19 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Ao gigante do fígado podre Um pequeno texto a um gigante que vem passando por situações parecidas com as minhas... A vida muitas vezes nos prega peças que não conseguimos entender. Já percorremos estradas que são esburacadas naturalmente, e mesmo assim certos obstáculos nos são impostos por algum motivo. Mas com certeza esse motivo existe. O que realmente importa é descobrir esse motivo e continuar na luta do nosso percurso pela mesma estrada esburacada. Os buracos nunca vão deixar de existir, faz parte da nossa vida os tombos e tropeços diários, para nos ensinar a ser quem somos e o que queremos. Pensar em desistir, jamais! Pra que, tendo a vida tantas coisas pra oferecer, tantas experiências que ainda nem imaginamos, tantas pessoas que ainda vamos conhecer? Não, temos muito o que fazer aqui ainda. Nossas conversas tem me ajudado muito em todos os aspectos possíveis e imagináveis. E apesar das circunstâncias (não me entenda mal), é bom saber que tem alguém junto comigo nessa coisa doida de hospital que vira casa e casa que vira hospital... É bom te ter por perto, mesmo que perto não seja tão perto assim! Bjos Pequeno Lê Escrito por Irene às 12h07 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] As coisas mais simples... As vezes nos esquecemos do sentido que a vida tem. Bjos Escrito por Irene às 15h31 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] A little shy... Ok, confesso... esta é a minha primeira vez. Acho que já está bom pra uma primeira vez, né? No próximo me esforço mais! ^^ Beijos... Escrito por Irene às 00h18 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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